Arquivo mensais:maio 2010

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Aula Espetáculo de Ariano Suassuna em Floresta

A cidade de Floresta recebeu, no dia 27 de maio, na Escola de Referência em Ensino Médio Capitão Nestor Valgueiro de Carvalho, a aula-espetáculo Nau, de Ariano Suassuna.

Muitos moradores lotaram a quadra da escola e as arquibancadas para assistirem o mestre e sua trupe, composta, entre outros, pelo músico e compositor Antônio Madureira; pela cantora Isaar e pelo mestre de capoeira Meia Noite, do Ponto de Cultura Daruê Malungo, do Recife.

Paraibano de João Pessoa, Ariano Suassuna é advogado, professor de estética, teatrólogo, romancista, membro da Academia Brasileira de Letras e atual Secretário de Cultura de Pernambuco.

Escreveu diversas peças como Uma Mulher Vestida de Sol (1947); Torturas de Um Coração (1951); O Auto da Compadecida (1955); Farsa da Boa Preguiça (1960), entre muitas outras obras para o teatro e de ficção. Criou o Teatro Popular do Nordeste, o Movimento de Cultura Popular e idealizou o Movimento Armorial.

A aula espetáculo apresentada em Floresta foi a de número 107. No Sertão de Itaparica, Ariano já esteve em Petrolândia e Belém de São Francisco. Este circuito de aulas espetáculo é uma das ferramentas da Secretaria de Cultura de Pernambuco para levar música, dança, teatro e literatura para o interior do Estado.

Fotografia: Pedro Rampazzo/Sambada – Ariano Suassuna e suas imitações bem humoradas.

CARTAZ PROGRAMAÇAO MAIO 2010

Fim de Semana Cultural em Floresta

Música e cinema pernambucano são os temas do final de semana cultural que o Ponto de Cultura Sertão Itaparica Mundo, em parceria com a Prefeitura Municipal de Floresta, está realizando no mês de maio.

Após exibir, durante três sessões, seis curtas pernambucanos e os melhores vídeos do Festival do Minuto 2009, o CineClube Florestano irá exibir, em sua quarta sessão, os primeiros longas-metragens, também produzidos no Estado. São eles: Balsa (2009), de Marcelo Pedroso e KFZ-1348 (2008), de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso.

Balsa ganhou o Prêmio Ary Severo/Firmo Neto 2007, é uma produção da Símio Filmes com a Cinemascópio Produções. KFZ-1348, uma produção da Rec Produtores, ganhou o Prêmio de Melhor Filme da Mostra Pernambuco, do 13º CINE PE e o Prêmio Especial do Juri, da 32ª Mostra Internacional de São Paulo.

Música – Dando continuidade ao processo de formação focado no trabalho com pífanos, o Ponto de Cultura, a partir de 29 de maio, inicia as aulas práticas de pífano, caixa e zabumba, todos os sábados de manhã.

SERVIÇO:

Espaço Cultural João Boiadeiro – Centro – Floresta/PE

Dia: 28/05/10 – 20 horas – Exibição do filme Balsa

Dia 29/05/10 – 20 horas – Exibição do filme KFZ-1348

Praça Major João Novaes, 249 – Centro – Floresta/PE

Dia: 29/05/10 – 8 às 12 horas – Aula de pífano, caixa e zabumba

 

INFORMAÇÕES:

(81) 3429 7625 – Sambada

(87) 9901 5289 – Mirtys Ramos

 

Arte do cartaz: Camila Cahú.

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O Pífano e a tradição musical do sertão de Itaparica

A música surgiu no mundo como elemento sociabilizador dos agrupamentos sociais. Possuía fundamento religioso, pois a crença comum no ancestre – ou em qualquer outra forma através da qual se imaginasse forças sobrenaturais – tinha no canto místico um elemento de fusão e força unanimizadora, defensiva e protetora para os diversos indivíduos sociais que se juntavam sem lei nem rei.

No Brasil pós-cabralino, o principal embate se dava entre as ambições dos colonos e a instintiva liberdade dos índios. A música dos jesuítas – que utilizou elementos locais como veículo facilitador da liturgia eclesiástica dos franciscanos – encantava magicamente os índios; fundia; confundia e harmonizava.

Segundo Mário de Andrade, “o resultado brasileiro desse panem et circenses, de pouco pão e muito circo, foi uma igreja para cada dia do ano”. O incenso e o batuque místico imperavam, e os próprios jesuítas, por certo mais libertários, serviram menos ao catolicismo que a colonização, com seus processos de catequese, suas procissões, semana santa, igrejas e música.

O resultado disso caracteriza, até hoje, a cultura da região do Sertão de Itaparica, com suas manifestações ameríndias. Em Floresta e Itacuruba, por exemplo, é possível citar a dança de São Gonçalo como característica da fusão dos cânticos franciscanos à dança dos índios.

A música ameríndia surgiu, portanto, das próprias necessidades sociais do colono primitivo. E só com a fixação dos centros e a organização guerreira das vilas é que a música, embora religiosa, tronou-se um elemento de enfeite nas festas de religião.

Sendo a música uma manifestação que depende do executor e do ouvinte para se realizar, deu-se a tradição do pife nas terras de Itaparica. A música se desvencilhou da Igreja com a chegada das bandas marciais, que perderam a função militar de ordenar as forças armadas, após o declínio econômico do século 19, dando origem às bandas civis.

Essas bandas assumiram como herança o serviço eclesiástico que era executado anteriormente pelas orquestras. No interior, as bandas passaram a ser um meio de entretenimento coletivo, dando origem às retretas – apresentações de bandas em coretos e praças públicas.

Na feição do Sertão de Itaparica, a banda de pífanos é composta basicamente por dois pífanos, um caixa e um zabumba. Em quase todo o Nordeste, o pífano – também conhecido como pife – é tradicionalmente confeccionado em taboca ou taquara (espécie de bambu). Sabe-se, inclusive, que a banda do 1º batalhão de combate ao cangaço durante o século 20, erguido em Floresta, utilizava as flautas ameríndias em sua formação.

A cultura do pífano, como é conhecida em terras ibéricas, é resultado da hibridização de diferentes culturas. As flautas indígenas se adaptaram a chegada do músico europeu e passaram a ser feitas com os mesmos furos das flautas das bandas marciais da Europa. Mais tarde é que a maneira de fazer a flauta dos índios foi adaptada às necessidades do mestiço brasileiro e do colonizador português.

Desse hibridismo cultural, firma-se expressões musicais regionais que vão de sonoridades importadas, como o jazz, aos zabumbeiros ou bandas de pífanos características dos caboclos nordestinos. A banda de pífano é a representação mais expressiva da musicalidade da região sertaneja.

Texto: Bárbara Gonçalves. Fotografia: Pedro Rampazzo. Assistência de fotografia: Mirtys Ramos/Ponto de Cultura Sertão Itaparica Mundo. Caixas, pífanos e zabumbas confeccionados durante oficinas no Ponto de Cultura, em 2010.